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I
O pintor apresenta quadros de acrílico sobre tela, reveladores
de todo
um processo interior activo e sensível. Os quadros de Pedro
Charters
d'Azevedo são composições abstractas da figura
e da vida em movimento. O
pintor desconstroi ou dilui a imagem real de seres vivos, com
criatividade e ritmos próprios. É um trabalho demarcadamente
emocional,
com uma vasta paleta de cores e gestos sensíveis, demonstrativos
da
imensa envolvência do espírito do artista na execução
da sua obra.
D.P.H.C. - Núcleo
de Artes Plásticas
II
Há muito para ver, muito para admirar e é preciso
muito, mas muito tempo para se falar de um quadro, pois uma visita
rápida e leviana seria uma desconsideração
pelo artista, por tal prometo ver com mais atenção
e numa altura em que todo o tempo esteja por minha conta, sem pressas...
No entanto, a impressão causada ao passar a vista pelos quadros
nesta viagem rápida, foi de calma, tranquilidade, de harmonia.
Há uma grande variedade de temas, palhaços, mulheres,
touradas, relações, sim relações de
afectos entre pessoas, animais. Há vida, muita vida, cheia
de movimento, de cor e brilho. Senti que havia também sons
musicais! Senti a harmonia das cores suaves, senti a parte do erotismo
poético patente nas obras. E tanto mais podia falar da obra,
e ao ver a obra logo vejo o pintor, mas aí, já é
a parte da análise psicológica, que não interessa
agora, para não cair no risco de ser precipitada.
Bom trabalho!
Parabéns!
Eulália Faria
III
A Pintura de Pedro Charters d'Azevedo traduz a dicotomia pintor-criador
que o artista impõe nas suas obras.
À primeira vista, o acto de ter começado a desenhar
e a pintar regularmente desde 1998, poderia levar-nos a ter o pensamento
limitado de que o seu percurso artístico é breve,
perspectiva que não invalida a intensidade e exposições
individuais e colectivas.
O cruzamento contínuo das emoções intrínsecas,
a vivência, e as constantes descobertas do quotidiano, enquadram
a arte que flúi serenamente nas telas de Pedro Charters d'Azevedo,
num equilíbrio que o pintor trabalha sobretudo em acrílico
sobre tela, embora utilize também uma diversidade de técnicas,
como aguarela, a pintura a carvão, a tinta-da-china e a pastel
seco.
Maria João Bual
Salvado
Vereadora da Cultura da Câmara da Amadora (2005).
IV
Não sou crítica de arte, nem tenho qualquer aspiração
a sê-lo.
Consequentemente aquilo que vou escrever acerca da obra do Pedro,
é o que os meus olhos vêem, o que o meu coração
sente e a minha mente regista. E tenho esperança de conseguir
transmitir algo, uma vez que entre mim e a obra do Pedro se estabeleceu
uma empatia muito grande.
Gosto da obra do Pedro e o que pretendo conseguir é suscitar
a curiosidade dos outros, através da apreciação
que espero conseguir passar.
Gostaria de vos falar um pouco sobre a obra do meu amigo Pedro,
podendo talvez dizer que o vi "nascer"para a Pintura.
A evolução do Pedro desde as suas primeiras tentativas
no mundo da pintura e do desenho tem sido extraordinária.
Diria que hoje está irreconhecível. Dos primeiros
esboços e das primeiras pinceladas quase nada resta. Hoje
afirma-se como pintor extremamente sensível e diversificado.
É muito rico nos temas que aborda, no traço que usa
e na polifonia da cor.
Os temas tão diversificados, vão da Éguada
e dos Touros ˆ tão portugueses na inspiração,
até às diversas perspectivas, aos Cristos, passando
pelo Palhaço, pelo Soneto a meus filhos, pela Maternidade,
pela Despedida, pelas Sevilhanas, pelo Grito do Palhaço,
pela Busca de Plenitude até à Música. Não
é em vão que invoco estas obras em particular, pois
para mim elas representam o que há de eclecticismo na obra
do pintor. O traço deste pintor é volúvel na
forma. Não encontro na sua obra o risco duro que caracteriza
muitos dos pintores modernos. O Pedro prefere o esboço e
a insinuação, o subtil ao explícito, deixando
que o seu pincel faça o resto, levemente, ousando. E o resultado
desta técnica resulta profunda e magnificamente. O Pedro
não impõe nada, o Pedro dá o toque e a nossa
sensibilidade visual, inteligentemente guiada pela sua inspiração
é levada a captar a obra em toda a sua riqueza interior e
exterior. A maior parte da obra do Pedro é dicotómica.
Sob cada pincelada, sob cada obra finalizada, vamos encontrar o
seu significado interior. E o que está subjacente à
forma e à cor ˆ é profundamente humanizado, tem conteúdo,
não é apenas cromático. Ao admirar os Cristos,
a Despedida, O grito do Palhaço, Soneto a meus filhos, a
Maternidade ˆ sou impulsivamente levada a sentir e a viver a essência
das telas, porque elas tocam no mais bonito do meu intelecto. A
polifonia da cor é outra característica da pintura
do Pedro. Gosta e usa os tons pastéis; diria que criou a
sua própria época azul; brincou com as Sevilhanas;
impressionou com os Cristos; chocou com A Busca de Plenitude. Os
mestres que me desculpem, mas pessoalmente impressiona-me muito
mais o Grito do Palhaço do Pedro do que o Palhaço
Músico de Kutter. Da mesma maneira os Cristos que o
Pedro lança na tela, são para mim muito superiores
ao de Rouault. Saindo dos temas que considero muito sérios,
é a minha vez de brincar com o cubismo do Pedro (com todo
o respeito pelo Pedro e pelo Picasso) expresso na sua obra Música,
se o Pedro quis ou não ser Picassiano, a verdade é
que conseguiu plenamente. Julgo que o Picasso não se sentiria
diminuído se assinasse esta obra. Ainda falando de cor, apetece-me
dizer que no Candelabro, o Pedro realiza um hino à cor.
Repensando a sua obra num todo e tão longe quanto os meus
sentidos me conseguem levar, o Pedro exulta em simultâneo
a dor, a paixão, a alegria, a procura através da sua
cor e a forma que utiliza. Haverá sempre críticos
que dirão que os grandes mestres são ou não
artistas completos. Neste momento, quem me interessa é o
Pedro, e o Pedro se não é ainda um artista completo,
para lá se encaminha. A evidência está na sua
obra . O Pedro é um pintor cujas obras eu gostaria de ter
expostas na minha casa, e seria com o maior orgulho que os mostraria
a todos os meus outros amigos. Pedro, eu sou muito pequenina ante
a tua arte, mas apetece-me dizer-te: Conseguiste Pedro! Parabéns
Pedro!
É uma felicidade pensar que tenho um amigo que percorrendo
a via autodidacta alcançou a própria realização
pessoal, através da sua mundividência e dos seus pincéis,
que há muito viviam escondidos na sua mão, no seu
coração e na sua alma.
Drª. Maria Luísa
Neves (2005)
V
Gosto imenso do seu trabalho, uma Obra marcante, com personalidade
e o seu traço pessoal.Com a Poesia de uma mágica conjunção
de cores, que ilustra uma mensagem.
Rute Santos (Artista
Plástica)
VI
Não sendo minimamente entendida em pintura, apenas deixei
a minha sensibilidade vaguear pelos contornos e cores na expectativa
de um diálogo que depressa se estabeleceu.
O predomínio do equilíbrio ocres/azuis aliado à
altivez - quase arrogância - com que a perspectiva nos força
o olhar é sem dúvida uma poderosa mais valia na tua
obra.
Gostei de todos os quadros, adorei principalmente as Sevilhanas,
Éguada e Solidão mas - sem qualquer influência
de misticismo pessoal aliás pouco desenvolvido na minha mente
mais racionalista - amo o poder do Cristo na sua agonia psicológica.
Parabéns.
(não assinado)
VII
A ouvir a cor, estar atento aos limites da forma, o ritmo, o compasso,
batimentos constantes do pincel sobre a tela, existe um tempo de
andamento no plano da pintura, a textura e a escala cromática,
ressoam como acordes pictóricos. Sensibilidade, perspicácia,
verdade - são palavras caras à arte de Charters dAzevedo,
cujo alcance e significado só entenderemos recorrendo à
revelação das inquietações e anseios
artísticos e filosóficos, que, como todo artista que
se preza, também ele tem: O que é arte? Onde ela nasce?
No mundo exterior ou no âmago do nosso íntimo, nas
profundezas abissais do nosso inconsciente? São perguntas
que, depois de seis mil anos de realizações artísticas,
os homens ainda não sabem responder com segurança.
Quando o fazem, é por uma retórica inversão
ou exclusão do tópico em questão - "O
que não é arte?" ou "É mais fácil
dizer o que não é arte", nas palavras daquele
travesso enfant terrible Duchamp.
A arte de Pedro Charters dAzevedo não é para
ser entendida, é para ser sentida.
Álvaro Freitas
VIII
Falar da obra de Pedro Charters dAzevedo
Pedro Charters dAzevedo não renega as circunstâncias,
embora não se sujeite às obediências do gosto
instalado e das receitas de mercado. Enveredou pelos chamamentos
interiores sem trair os condicionamentos exteriores. Oferece-nos
trabalhos da sua verdade, da sua ambiguidade, da sua identidade.
Exprime-se pela imprecisão, convicto de que a plena lucidez
e o pleno sentimento são orações ao absurdo,
que muitos relacionam com uma ordem mística. Não é
o inventar de um gesto, o traçar de uma esquina, nem mesmo
a velha luta do Homem entre a razão e os sentidos das cores
e das formas dissolvidas porque não perdidas? Aqui
não falo do percurso dos olhos e da memória. E entretanto,
algures, no interior de Pedro Charters e no espaço dos tempos,
existe aquela fresta de luz que ameaça estilhaçar
o mole da escuridão.
O Pintor, este de quem falo ou estou falando, relembra-nos as nossas
gelatinosas origens e os nossos pulverizáveis desfechos,
os cutelos da esperança e os elos da compreensão figurativa.
As suas figuras vogam nas lamas essenciais da natureza humana e
da incerteza e também advogam: algumas foram criadas na tela
a pensar por nós e para nós, connosco provavelmente.
Elas, as figuras, convidam-nos ao passeio até onde o concreto
permite a conivência com o semi-abstracto, até onde
a espessura da criação tolera a conivência da
tortura e da ternura. Pedro Charters opera no seu percurso afirmativo
e reivindicativo, um notório encontro de valores estéticos,
algo transmissível. É a suavidade que, apesar da densidade,
equilibra a sua condição de pintor-criador, num espaço
de declaração e deflagração da personalidade,
pautando-se pela sensibilidade, oscilando entre a agressividade
e a amabilidade pictórica, o estigma lancinante e o paradigma
deleitante.
A Arte é veiculada pelos Homens. A Arte na sua audácia
leva a caminhos indefiníveis. A Arte é isso. Somos
nós quem a vê, são somente os Homens quem sabe.
Na Arte não existem longitudes. E Pedro Charters dAzevedo
sabe a sua Arte.
Rui de Barros
Professor de pintura e crítico de arte
IX
O desenvolvimento da pintura de Charters dAzevedo
ultimamente foi particularmente intenso e distingue-se pelas
mudanças consideráveis que, nas linhas mais gerais,
corresponde ao tremendo progresso realizado em todas as esferas
da vida material, cultural e profissional num curto período.
De funcionário por contra de outrem, tornou-se hoje um
pintor contemporâneo com elevados ritmos de desenvolvimento
cultural.
Charters dAzevedo começou a trabalhar
em pintura em 1998, defrontando-se com problemas complexos.
As novas circunstâncias profissionais exigiam uma arte
que fosse por princípio, diferente, uma arte que combinasse
o espírito das tradições portuguesas com
as inovações necessárias à sua introdução
no mercado e ao agrado do público.
Obviamente na pintura não poderia partir
do rabisco pois a sua sensibilidade exigia mais.
A coexistência de várias correntes
e tendências, desde o folclore e os motivos decorativos,
afins do estilo de arte popular, às complexas composições
metafóricas multiplanas, ao prazer artístico directo
do mundo e da natureza e dos objectos, expresso em acrílicos
cheios de sombras em espessas camadas às soluções
construtivas policromáticas, com uma nova substancialidade,
desde as modulações intimistas à grande
visão filosófica e às generalizações.
O caminho percorrido pela arte de Charters dAzevedo,
embora curto, é profundamente intenso e complexo. Mostra
um desenvolvimento dinâmico e rico em imagens, tão
dinâmico e rico em imagens como a própria vida.
Dr.
Filipe Azevedo
X
Natural da cidade de Lisboa, onde nasceu em 1946,
Pedro Charters dAzevedo passou a desenhar e a pintar com
regularidade em 1998, dedicando-se em exclusivo à pintura
a partir de 2000, depois de ter ficado desempregado (anteriormente,
tinha exercido diversas profissões na área dos
serviços).
Autodidacta, este pintor trabalha sobretudo em
acrílico sobre tela, embora utilize também uma
diversidade de técnicas entre as quais se contam a aguarela,
a pintura a carvão, tinta-da-china e pastel seco. Os
temas das suas obras estão predominantemente ligados
ao mundo da tauromaquia e da caça (touros, cavalos, perdizes,
gazelas
) e às paisagens pitorescas, como ruelas
e casarios velhos. O retrato constitui outra das vertentes da
sua pintura, caracterizada ora pela figuração
realista, ora pela abstracção.
Pedro Charters dAzevedo apresentou-se pela
primeira vez a título individual em 1999, num atelier
de arquitectura, em Cascais. Das colectivas em que participou
destacam-se diversas exposições em museus e certames
ribatejanos, facto que se explica pelos motivos pictóricos
que elege para os seus trabalhos.
ArtLink
XI
Obra de um homem maduro!
A sua pintura traduz a subjectividade de uma sensibilidade
que o tempo formou e as circunstâncias e a vivência
do dia a dia sublimaram.
O social na ternura com que tratou um idoso ou
no carinho que pôs no retrato da criança alia-se
ao anseio de liberdade que os cavalos a galope evocam.
O esmagamento do mal no enquadramento de animais
que o simbolizam e que desaparece na pureza de uma flor ou o
lirismo da luz entardecida de uma paisagem outonal.
Social, liberdade, ternura uma trilogia de sentimentos
que a idade credibiliza e o tempo consagrou.
Eng.
João Pedro Neves Clara
XII
Uma Opinião sobre o Artista
Espaços e tempos. Viagens de olhar por dentro dos sentidos,
por dentro da liberdade dos sentidos. Memórias. Diálogos
integradores e transformadores. Um percurso de traços fortes
de libertação, acto de amor, de arrebatamento, de
sensualidade e até de volúpia; um percurso de quem
procura sempre coisas novas e para quem o novo pode existir no cruzamento
de tempos e atmosferas e de emoções. É nesta
oficina plural que reside, porventura, a liberdade de um artista;
uma oficina marcada por diversas técnicas. Uma arte todavia
estruturada a partir de uma unidade subtil, essa que procura a relação
como ser, com o ser mais íntimo mas, do mesmo modo, como
ser tocado por tudo que o rodeia
XIII
Pedro Charters d'Azevedo situa-se no terreno de uma pintura - pintura
que faz do jogo entre a figura e as por vezes estridentes manchas
de cor o seu esteio expressivo. O seu método de abordagem
poderia incorrer, com facilidade, na tentação ilustrativa,
tanto mais que os poemas escolhidos ou insistem na crueza descritiva
do acto amoroso, ou propõem sátiras a defeitos físicos
evidentes ou então se debruçam, num registo de arrependimento,
sobre a Morte iminente e o Destino, final, numa eloquente panorâmica
dos excessos vividos e temidos! Contudo o pintor não procura
uma qualquer dependência do relato ou das truculentas imagens
poéticas. Pelo contrário, ainda que aqui e além
se descortinem elementos figurativos que estabelecem subtilíssimas
"pontes" com as evocações textuais, é
na desconstrução figural e na exuberância cromática
(numa prática salutarmente "selvática" da
cor) que encontramos os equivalentes picturais dos excessos descritivos
e sensuais da poesia, desencadeando no espectador um misto de identificação
e de distanciamento operada pela pintura de hoje (na sua liberdade
intrínseca) sobre uma poesia do passado ainda tão
potencialmente libertária e actual para todos nós.
4 de Julho de 2004 (quadros sobre poemas de Barbosa du Bocage)
Dr. Fernando António
Baptista Pereira
Especialista em História de Arte e Conservador do Museu da
Cidade de Setúbal
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