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Prémios:

* Troféu Bronze -Art Shpopping Carrousel du Louvre, AAAGP - 2017, Paris, França

* Medalha "Menção Honrosa de Ouro" - "Prémio Mário Silva", Maio, 2016 - Figueira da Foz

* Creativity Prize - "5th International Exhibition of Small Format 20x20 cm", Outubro, 2015 - Figueira da Foz

* Prémio "Obra Prima" Exposição - Europa Brasil, uma só arte - Sociedade de Medicina e Cirurgia, Juiz de Fora,2014, Brasil

* Medalha de Bronze "State of the Art - Estoril Art Exhibition 2014”, Lisboa

* Menção Honrosa, 2014 "IX Bienal Salão das Artes" - Vidigueira - Portugal

* Menção Honrosa de Bronze, 2014 "Prémio Mário Silva" - Figueira da Foz - Portugal

* Menção Honrosa, 2013 "Galeria Aberta" - Beja - Portugal

* Medalha de Mérito Cultural (9º lugar na Bienal do Mediterrâneo do InBrasCI-MG - Exposição Internacional de Arte Contemporânea e Literatura em Portugal), 2013, Lisboa - Portugal

* Menção Honrosa, 2012 "Prémio Mário Silva" - Figueira da Foz - Portugal

* 2º Prémio, 2009 "Pintar Ponte de Sor" - Ponte de Sor - Portugal

* Médaille d'Argent Internationale, 2008 - Gembloux - Belgique

* Menção Honrosa, 2007 – III Bienal de Pintura de pequeno formato – Prémio Joaquim Afonso Madeira

* Médaille d'Or Nationale, 36e Salon Concours Internationale 2006 - Gembloux - Belgique

* Médaille d’Or Nationale 2006 AEA – Paris – France

* Médaille d’Or Nationale 2005 AEA – Paris – France

* Médaille d'Argent International, 35e Salon Concours International 2005 - Gembloux - Belgique

* Médaille d'Or International, Paris 2004 - França (Medalha)

* Médaille d'Argent International 34e Salon Concours Internationale 2004–Gembloux – Belgique

* Sibermedaille - Internationalen Ausstellung der A.E.A. (Vöcklabruck), Österreich

* Medalha de Prata - 8º Concurso International de Prestigio – 2003 - Madrid

* Médaille d'Or National - 33e Salon Concours Internationale 2003 –Gembloux – Belgique

* Médaille d'Or National Française - Exposition Internationale 2003 –Paris – France

* Prémio de Pintura - Concurso "I Prémio Columbina" - Internet (Quadro)

Comentários/Opiniões/Críticas

I

Um começo, uma mudança

Pedro Charters d'Azevedo na série intitulada “Dançando com o Lixo”, utiliza várias matérias e diversas texturas que sobrepostas ou colocadas lado a lado sobre a tela sugerem um motivo representativo de uma hipotética dança. O autor utiliza materiais reciclados ou intencionalmente recuperados do lixo, situando-se no terreno de uma pintura que assenta na fusão da figura com as estridentes manchas de cor e a volumetria das colagens. Ainda que em todos os quadros se descortinem elementos figurativos de vultos que dançam, é na desconstrução do plano, na exuberância cromática e nas texturas, numa prática salutarmente "selvática", que encontramos os equivalentes pictóricos da rotura intencional com o formalismo da pintura mais clássica.
Ao abrigar no espaço do quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal, restos de cartão e papéis de todo o tipo, tecido, areia, palha, malha de aço e outros restos - a pintura do autor passa a ser concebida nesta série como uma construção saliente sobre o plano da tela, dificultando neste caso concreto o estabelecimento de fronteiras rígidas entre a pintura e a escultura.
Tal opção texturizante do plano pictórico poderá desencadear no espectador um misto de identificação e de distanciamento ocasionado pelo experimentalismo da pintura exposta na sua liberdade criativa mais intrínseca.

Albuquerque Lima

II

Textura e Lixo

Toda obra realizada com diversas técnicas em um só trabalho, é denominado por, técnica mista. A técnica mista surgiu através e em grande parte de artistas contemporâneos, como Velasquez, Van Gogh, Pablo Picasso e, mais recentemente, com Andy Warhol.
O uso de esboços, carvões, colagens e fotografia, misturados com tintas e outros meios de comunicação,fornecem versões diferentes de auto-retratos.
A história da arte relata-nos que artistas sempre souberam aproveitar materiais reciclando-os e noutros casos aproveitando-os para aplicação nas telas, criando em muitos casos aquilo que se chama de instalação artística.
Os temas são sempre os mais diversos, desde o cinema até ao nosso quotidiano.
Pedro Charters d'Azevedo, é exemplo disso dando-nos um tema muito explorado em técnicas singelas de acrílico ou óleo. Os seus bailados dançam na tela com colorido singelo e suave.
Muitos artistas, recorrem a revistas e jornais, para trabalharem a técnica mista, mas Charters d'Azevedo vai mais longe, recorre ao lixo que é rejeitado pela sociedade e aproveita-o, na aplicação em suas obras.Aparentemente, nada de grave na arte, mas Charters d'Azevedo inteligentemente usa esses materiais do lixo aplicando-os na tela sem sujidade, com frescura que aplica com as suas cores.
O pintor cria e pinta com suavidade e serenidade, como poucos.
Talvez o lixo lhe dê inspiração, para tão belos bailados o que não conseguiria se optasse por material ilustrado, tais como revistas e jornais.Não recorre também a material publicitário, o que agrada ao autor, pois seus temas, são mais sérios e sublimes.Pedro Charters d'Azevedo sabe o que quer com este tema e usa-o com sabedoria, inteligência e equilíbrio nas telas.O autor tem como objetivo, na apreciação, produção e apresentação de trabalhos artísticos em desenho e pintura sensibilizar-nos, para as coisas mais estranhas que nos rodeia, o lixo!
Como proposta inicial, o autor desenvolve uma atividade de sensibilização dos sentidos: visão, audição e tato.Partiu dum princípio, com vistas a formar o todo.Posteriormente, partiu para o desenho de observação/ luz e sombra, estimulando a reflexão do visitante
na construção dos conhecimentos artísticos, criando imagens, conhecendo o trabalho que está em seu interior, desenvolvendo formas e posições diferentes de luz, sombra e movimento. O uso de texturas na pintura leva o autor ao uso de criatividade. Trabalhar com texturas é envolver-se com intensidades, pesquisas e combinações de possibilidades e
materiais. Pedro Charters d'Azevedo usa a arte como um recurso de desenvolvimento da criatividade, de interação, de valorização na sociedade indo contra vários preconceitos. Numa primeira fase o autor deu cores no fundo que quase se confundia com as imagens e foi tão puro e não artificialista que anula os fundos, tornando-os suaves e bem iluminados como que se tratasse de um cenário de palco mal iluminado.O autor intitula esta fase de, “Quadros de dançarinas, movimento, cor e alegria”.Intitula com razão ou não fosse a dança tudo isso além da criação.Intitula individualmente suas obras como de, “ Dança com Lixo… “, numerando-as sabe lá até onde. Ao ver a série de trabalhos do artista, deu-me a sensação de ver uma cena de bailado, num palco com música e cor a soar para o espectador.
A atividade dessa forma, contribui para a formação de um cidadão mais crítico e participativo, capaz de fazer uma leitura do mundo a partir da sua representação/construção/criação.
É isto que nos oferece Pedro Charters d'Azevedo, no seu todo, no seu mundo, no seu percurso como homem e artista.

Angelo Vaz

III

Desde muito cedo que Pedro Charters d'Azevedo revelou ter talento para as Artes Plásticas, mas foi preciso chegar aos 52 anos de idade e à reforma para descobrir verdadeiramente a pintura. E é assim que, em 1999, o artista autodidacta começa a pintar com regularidade. Pedro Charters d’Azevedo trabalha com acrílico, pastas e diversos materiais sobre tela. Gosta de pintar o que não é figurativo, procurando evocar algo ou desconstruir o concreto. Embora também faça retratos sob encomenda, o que realmente lhe dá prazer é explorar a arte moderna e contemporânea . Começa o dia com uma hora de desporto e segue para o exercício desta recém-descoberta paixão pela pintura. O seu atelier situa-se em Xabregas, Lisboa, espaço que divide com outros pintores.
O artista encara a pintura como uma actividade para ser levada como qualquer outra e sublinha que é preciso trabalhar todos os dias para produzir cada vez melhor arte. “Se o artista ficar à espera que a inspiração lhe apareça, não chega lá.” - afirma. Este é o conselho que deixa a todos aqueles que pretendam enveredar pela pintura: “Trabalhar, trabalhar, trabalhar!”.
Pintar, diz o próprio, traz-lhe entusiasmo, e vida. Com algumas exposições individuais e colectivas, no seu ainda jovem percurso como pintor, considera-se um artista gestual, com muito por explorar.
As suas telas têm recebido aceitação no mercado de arte, no qual o artista ingressou pela primeira vez no ano 2000. Vende as suas obras através de leilões, outras tantas em exposições e através de um site próprio (www.pedrocharters.com). “Não fico rico, mas permite alguns luxos e paga-me este devaneio. Pintar faz-me sentir vivo! ” – confessa entusiasticamente.
Quando questionado sobre que interpretação faz da reacção do mercado à sua arte, Pedro Charters d'Azevedo afirma não conseguir atribuir-lhe uma lógica. “Dizem-me que a minha obra está a ser procurada e que o que vai acontecer é que o seu valor vai subir. Mas ainda não percebi qual o melhor mês para vender, o melhor sítio para expor, nem tão pouco compreendo porque é que agora procuram os meus trabalhos e antes não, quando eu sou o mesmo e trabalho igual. São circunstâncias, às vezes vou a um lugar e sou um sucesso, noutro não me dizem nada e eu... não percebo.”-desabafa, em tom de diversão.
Pedro desconhece as motivações dos coleccionadores e o do público em geral, mas sente-se feliz com o sucesso que tem obtido. Está consciente de que as apreciações que recebe às suas telas dependem da leitura do público, e sabe que este compra porque gosta. mas sabe igualmente que há quem compre as suas obras para fazer um investimento.
Do público, gosta de receber uma avaliação válida dos seus quadros. “Aceito qualquer interpretação de uma obra minha, desde que respeitem o trabalho e façam uma apreciação minimamente válida. Dizer que é giro não chega. Têm de dizer se gostam dos tons, da imagem, das figuras, não gostam da ideia, da dimensão, ou mesmo não condiz com o sofá… algo concreto.” - afirma.
As obras de Pedro Charters d’Azevedo revelam as emoções do artista, a sensibilidade e uma grande envolvência espiritual. Transmitem ainda mensagens de forma subtil, por entre o distanciamento que a pintura do pensamento moderno e contemporâneo de hoje implica e a sempre eterna procura de sentido e identificação que é inata ao indivíduo.
O artista sente que tem muito que explorar na sua arte e mostra-se arrebatado com as perspectivas. Afinal, passaram-se muitos anos desde que a criança Pedro Charters d’Azevedo era convidada a subir num banco de escola para desenhar no quadro, a giz, um azevinho, com bolinhas e estrelinhas – uma das lembranças mais remotas do artista daquilo que é o reconhecimento externo às suas aptidões. “Sempre tive aptidões que as pessoas reconheciam, mas ninguém na altura fomentou. Vida de artista não era carreira, não é?”- conta, sem vislumbre de mágoa. O talento não foi fomentado mas, tal percurso de vida não lhe trouxe arrependimentos. Constituiu família, tendo exercido as mais variadas profissões “Fui técnico de formação, informático, chefe de oficina, caixa, escriturário, contabilista… fiz tudo, tudo. Tinha de sustentar os filhos.” – conta o artista, pai de quatro e avô.
Na pintura, Pedro Charters d’Azevedo vibra, convive e se entusiasma, vivendo intensamente os momentos da criação.

Cristina Carvalho (Jornalista) - Artigo na Revista Artshow - 2011

IV

Avaliação crítica à obra de Pedro Charters de Azevedo

Sob a aparência de uma arte distraída e despretensiosa , descobre-se, num olhar quieto e atento, uma força eivada de um neo - epicismo que se exprime, alternando uma linearidade de uma esquadria geométrica com uma técnica fragmentária, onde se plasmam estados de espírito pejados dessa melancolia contemporânea de quem sente que se extingue , no caos, a unidade do Mundo. Assim, se justifica a presença de uma angústia face à inexorabilidade da morte, tempo incerto que marca aqui uma expressão invulgar. De facto, raramente se ousa enfrentar a morte, de uma forma assim clara e vertical. Singular ainda o modo como o artista se aproxima cálida e tranquilamente da anatomia do corpo, descendo nela, até ao nível molecular de um enxame de microrganismos. O diálogo com o rosto do outro, em ambivalência de grito ou de segredo murmurado, expressa a imprescindibilidade catártica de figurar, num lirismo amoroso, o apelo à vivência num “carpe diem” como forma de esquecimento e mergulho no reino inefável do Belo, enquanto fonte de todo o acto criativo. É este gesto que justifica a presença da música e da palavra como força original, de que a pintura é fiel subsidiária. Estamos, pois, postados perante textos narrativos que contam histórias prenhes de memórias de uma autobiografia prenhe de ancestralidade. Assim, a máscara, a “personnae” helénica, deve ler-se, como uma necessidade do autor preservar a sua faceta de um “homo cogitandi ” que tem como refúgio e como centro produtor de arte, uma interioridade transbordante em referentes imagéticos, cuja fonte e origem é o registo profundo das suas próprias sinestesias, não necessitando, para ser artista, senão de entrar no silêncio que habita a sua consciência alargada.

Doutora Maria Adelina Vieira

(Licenciada em Filologia Românica pela U. do Porto. Mestre em Linguística Histórica pela U. Católica. Investigadora da F.C.T. na U. Fernando Pessoa) - 2011

V

O pintor apresenta quadros de acrílico sobre tela, reveladores de todo um processo interior activo e sensível. Os quadros de Pedro Charters d'Azevedo são composições abstractas da figura e da vida em movimento. O pintor desconstroi ou dilui a imagem real de seres vivos, com criatividade e ritmos próprios. É um trabalho demarcadamente emocional, com uma vasta paleta de cores e gestos sensíveis, demonstrativos da imensa envolvência do espírito do artista na execução da sua obra.

D.P.H.C. - Núcleo de Artes Plásticas

VI

Há muito para ver, muito para admirar e é preciso muito, mas muito tempo para se falar de um quadro, pois uma visita rápida e leviana seria uma desconsideração pelo artista, por tal prometo ver com mais atenção e numa altura em que todo o tempo esteja por minha conta, sem pressas...
No entanto, a impressão causada ao passar a vista pelos quadros nesta viagem rápida, foi de calma, tranquilidade, de harmonia.
Há uma grande variedade de temas, palhaços, mulheres, touradas, relações, sim relações de afectos entre pessoas, animais. Há vida, muita vida, cheia de movimento, de cor e brilho. Senti que havia também sons musicais! Senti a harmonia das cores suaves, senti a parte do erotismo poético patente nas obras. E tanto mais podia falar da obra, e ao ver a obra logo vejo o pintor, mas aí, já é a parte da análise psicológica, que não interessa agora, para não cair no risco de ser precipitada.
Bom trabalho!
Parabéns!

Eulália Faria

VII

A Pintura de Pedro Charters d'Azevedo traduz a dicotomia pintor-criador que o artista impõe nas suas obras.

À primeira vista, o acto de ter começado a desenhar e a pintar regularmente desde 1998, poderia levar-nos a ter o pensamento limitado de que o seu percurso artístico é breve, perspectiva que não invalida a intensidade e exposições individuais e colectivas.

O cruzamento contínuo das emoções intrínsecas, a vivência, e as constantes descobertas do quotidiano, enquadram a arte que flúi serenamente nas telas de Pedro Charters d'Azevedo, num equilíbrio que o pintor trabalha sobretudo em acrílico sobre tela, embora utilize também uma diversidade de técnicas, como aguarela, a pintura a carvão, a tinta-da-china e a pastel seco.

Maria João Bual Salvado
Vereadora da Cultura da Câmara da Amadora (2005).

VIII

Não sou crítica de arte, nem tenho qualquer aspiração a sê-lo.

Consequentemente aquilo que vou escrever acerca da obra do Pedro, é o que os meus olhos vêem, o que o meu coração sente e a minha mente regista. E tenho esperança de conseguir transmitir algo, uma vez que entre mim e a obra do Pedro se estabeleceu uma empatia muito grande.

Gosto da obra do Pedro e o que pretendo conseguir é suscitar a curiosidade dos outros, através da apreciação que espero conseguir passar.

Gostaria de vos falar um pouco sobre a obra do meu amigo Pedro, podendo talvez dizer que o vi "nascer"para a Pintura. A evolução do Pedro desde as suas primeiras tentativas no mundo da pintura e do desenho tem sido extraordinária. Diria que hoje está irreconhecível. Dos primeiros esboços e das primeiras pinceladas quase nada resta. Hoje afirma-se como pintor extremamente sensível e diversificado. É muito rico nos temas que aborda, no traço que usa e na polifonia da cor.

Os temas tão diversificados, vão da Éguada e dos Touros ˆ tão portugueses na inspiração, até às diversas perspectivas, aos Cristos, passando pelo Palhaço, pelo Soneto a meus filhos, pela Maternidade, pela Despedida, pelas Sevilhanas, pelo Grito do Palhaço, pela Busca de Plenitude até à Música. Não é em vão que invoco estas obras em particular, pois para mim elas representam o que há de eclecticismo na obra do pintor. O traço deste pintor é volúvel na forma. Não encontro na sua obra o risco duro que caracteriza muitos dos pintores modernos. O Pedro prefere o esboço e a insinuação, o subtil ao explícito, deixando que o seu pincel faça o resto, levemente, ousando. E o resultado desta técnica resulta profunda e magnificamente. O Pedro não impõe nada, o Pedro dá o toque e a nossa sensibilidade visual, inteligentemente guiada pela sua inspiração é levada a captar a obra em toda a sua riqueza interior e exterior. A maior parte da obra do Pedro é dicotómica. Sob cada pincelada, sob cada obra finalizada, vamos encontrar o seu significado interior. E o que está subjacente à forma e à cor ˆ é profundamente humanizado, tem conteúdo, não é apenas cromático. Ao admirar os Cristos, a Despedida, O grito do Palhaço, Soneto a meus filhos, a Maternidade ˆ sou impulsivamente levada a sentir e a viver a essência das telas, porque elas tocam no mais bonito do meu intelecto. A polifonia da cor é outra característica da pintura do Pedro. Gosta e usa os tons pastéis; diria que criou a sua própria época azul; brincou com as Sevilhanas; impressionou com os Cristos; chocou com A Busca de Plenitude. Os mestres que me desculpem, mas pessoalmente impressiona-me muito mais o Grito do Palhaço do Pedro do que o „Palhaço Músico‰ de Kutter. Da mesma maneira os Cristos que o Pedro lança na tela, são para mim muito superiores ao de Rouault. Saindo dos temas que considero muito sérios, é a minha vez de brincar com o cubismo do Pedro (com todo o respeito pelo Pedro e pelo Picasso) expresso na sua obra Música, se o Pedro quis ou não ser Picassiano, a verdade é que conseguiu plenamente. Julgo que o Picasso não se sentiria diminuído se assinasse esta obra. Ainda falando de cor, apetece-me dizer que no Candelabro, o Pedro realiza um hino à cor.

Repensando a sua obra num todo e tão longe quanto os meus sentidos me conseguem levar, o Pedro exulta em simultâneo a dor, a paixão, a alegria, a procura através da sua cor e a forma que utiliza. Haverá sempre críticos que dirão que os grandes mestres são ou não artistas completos. Neste momento, quem me interessa é o Pedro, e o Pedro se não é ainda um artista completo, para lá se encaminha. A evidência está na sua obra . O Pedro é um pintor cujas obras eu gostaria de ter expostas na minha casa, e seria com o maior orgulho que os mostraria a todos os meus outros amigos. Pedro, eu sou muito pequenina ante a tua arte, mas apetece-me dizer-te: „Conseguiste Pedro! Parabéns Pedro!

É uma felicidade pensar que tenho um amigo que percorrendo a via autodidacta alcançou a própria realização pessoal, através da sua mundividência e dos seus pincéis, que há muito viviam escondidos na sua mão, no seu coração e na sua alma.

Drª. Maria Luísa Neves (2005)

IX

Gosto imenso do seu trabalho, uma Obra marcante, com personalidade e o seu traço pessoal.Com a Poesia de uma mágica conjunção de cores, que ilustra uma mensagem.

Rute Santos (Artista Plástica

X

Não sendo minimamente entendida em pintura, apenas deixei a minha sensibilidade vaguear pelos contornos e cores na expectativa de um diálogo que depressa se estabeleceu.

O predomínio do equilíbrio ocres/azuis aliado à altivez - quase arrogância - com que a perspectiva nos força o olhar é sem dúvida uma poderosa mais valia na tua obra.

Gostei de todos os quadros, adorei principalmente as Sevilhanas, Éguada e Solidão mas - sem qualquer influência de misticismo pessoal aliás pouco desenvolvido na minha mente mais racionalista - amo o poder do Cristo na sua agonia psicológica.

Parabéns.

(não assinado)

XI

A ouvir a cor, estar atento aos limites da forma, o ritmo, o compasso, batimentos constantes do pincel sobre a tela, existe um tempo de andamento no plano da pintura, a textura e a escala cromática, ressoam como acordes pictóricos. Sensibilidade, perspicácia, verdade - são palavras caras à arte de Charters d’Azevedo, cujo alcance e significado só entenderemos recorrendo à revelação das inquietações e anseios artísticos e filosóficos, que, como todo artista que se preza, também ele tem: O que é arte? Onde ela nasce? No mundo exterior ou no âmago do nosso íntimo, nas profundezas abissais do nosso inconsciente? São perguntas que, depois de seis mil anos de realizações artísticas, os homens ainda não sabem responder com segurança. Quando o fazem, é por uma retórica inversão ou exclusão do tópico em questão - "O que não é arte?" ou "É mais fácil dizer o que não é arte", nas palavras daquele travesso enfant terrible Duchamp.
A arte de Pedro Charters d’Azevedo não é para ser entendida, é para ser sentida.

Álvaro Freitas

XII

Falar da obra de Pedro Charters d‘Azevedo

Pedro Charters d’Azevedo não renega as circunstâncias, embora não se sujeite às obediências do gosto instalado e das receitas de mercado. Enveredou pelos chamamentos interiores sem trair os condicionamentos exteriores. Oferece-nos trabalhos da sua verdade, da sua ambiguidade, da sua identidade. Exprime-se pela imprecisão, convicto de que a plena lucidez e o pleno sentimento são orações ao absurdo, que muitos relacionam com uma ordem mística. Não é o inventar de um gesto, o traçar de uma esquina, nem mesmo a velha luta do Homem entre a razão e os sentidos das cores e das formas dissolvidas – porque não perdidas? Aqui não falo do percurso dos olhos e da memória. E entretanto, algures, no interior de Pedro Charters e no espaço dos tempos, existe aquela fresta de luz que ameaça estilhaçar o mole da escuridão.

O Pintor, este de quem falo ou estou falando, relembra-nos as nossas gelatinosas origens e os nossos pulverizáveis desfechos, os cutelos da esperança e os elos da compreensão figurativa. As suas figuras vogam nas lamas essenciais da natureza humana e da incerteza e também advogam: algumas foram criadas na tela a pensar por nós e para nós, connosco provavelmente. Elas, as figuras, convidam-nos ao passeio até onde o concreto permite a conivência com o semi-abstracto, até onde a espessura da criação tolera a conivência da tortura e da ternura. Pedro Charters opera no seu percurso afirmativo e reivindicativo, um notório encontro de valores estéticos, algo transmissível. É a suavidade que, apesar da densidade, equilibra a sua condição de pintor-criador, num espaço de declaração e deflagração da personalidade, pautando-se pela sensibilidade, oscilando entre a agressividade e a amabilidade pictórica, o estigma lancinante e o paradigma deleitante.

A Arte é veiculada pelos Homens. A Arte na sua audácia leva a caminhos indefiníveis. A Arte é isso. Somos nós quem a vê, são somente os Homens quem sabe. Na Arte não existem longitudes. E Pedro Charters d’Azevedo sabe a sua Arte.

Rui de Barros
Professor de pintura e crítico de arte

XIII

O desenvolvimento da pintura de Charters d’Azevedo ultimamente foi particularmente intenso e distingue-se pelas mudanças consideráveis que, nas linhas mais gerais, corresponde ao tremendo progresso realizado em todas as esferas da vida material, cultural e profissional num curto período. De funcionário por contra de outrem, tornou-se hoje um pintor contemporâneo com elevados ritmos de desenvolvimento cultural.

Charters d’Azevedo começou a trabalhar em pintura em 1998, defrontando-se com problemas complexos. As novas circunstâncias profissionais exigiam uma arte que fosse por princípio, diferente, uma arte que combinasse o espírito das tradições portuguesas com as inovações necessárias à sua introdução no mercado e ao agrado do público.

Obviamente na pintura não poderia partir do rabisco pois a sua sensibilidade exigia mais.

A coexistência de várias correntes e tendências, desde o folclore e os motivos decorativos, afins do estilo de arte popular, às complexas composições metafóricas multiplanas, ao prazer artístico directo do mundo e da natureza e dos objectos, expresso em acrílicos cheios de sombras em espessas camadas às soluções construtivas policromáticas, com uma nova “substancialidade”, desde as modulações intimistas à grande visão filosófica e às generalizações.

O caminho percorrido pela arte de Charters d’Azevedo, embora curto, é profundamente intenso e complexo. Mostra um desenvolvimento dinâmico e rico em imagens, tão dinâmico e rico em imagens como a própria vida.

Dr. Filipe Azevedo

XIV

Natural da cidade de Lisboa, onde nasceu em 1946, Pedro Charters d’Azevedo passou a desenhar e a pintar com regularidade em 1998, dedicando-se em exclusivo à pintura a partir de 2000, depois de ter ficado desempregado (anteriormente, tinha exercido diversas profissões na área dos serviços).

Autodidacta, este pintor trabalha sobretudo em acrílico sobre tela, embora utilize também uma diversidade de técnicas entre as quais se contam a aguarela, a pintura a carvão, tinta-da-china e pastel seco. Os temas das suas obras estão predominantemente ligados ao mundo da tauromaquia e da caça (touros, cavalos, perdizes, gazelas…) e às paisagens pitorescas, como ruelas e casarios velhos. O retrato constitui outra das vertentes da sua pintura, caracterizada ora pela figuração realista, ora pela abstracção.

Pedro Charters d’Azevedo apresentou-se pela primeira vez a título individual em 1999, num atelier de arquitectura, em Cascais. Das colectivas em que participou destacam-se diversas exposições em museus e certames ribatejanos, facto que se explica pelos motivos pictóricos que elege para os seus trabalhos.

ArtLink

XV

Obra de um homem maduro!

A sua pintura traduz a subjectividade de uma sensibilidade que o tempo formou e as circunstâncias e a vivência do dia a dia sublimaram.

O social na ternura com que tratou um idoso ou no carinho que pôs no retrato da criança alia-se ao anseio de liberdade que os cavalos a galope evocam.

O esmagamento do mal no enquadramento de animais que o simbolizam e que desaparece na pureza de uma flor ou o lirismo da luz entardecida de uma paisagem outonal.

Social, liberdade, ternura uma trilogia de sentimentos que a idade credibiliza e o tempo consagrou.

Eng. João Pedro Neves Clara

XVI

Uma Opinião sobre o Artista

Espaços e tempos. Viagens de olhar por dentro dos sentidos, por dentro da liberdade dos sentidos. Memórias. Diálogos integradores e transformadores. Um percurso de traços fortes de libertação, acto de amor, de arrebatamento, de sensualidade e até de volúpia; um percurso de quem procura sempre coisas novas e para quem o novo pode existir no cruzamento de tempos e atmosferas e de emoções. É nesta oficina plural que reside, porventura, a liberdade de um artista; uma oficina marcada por diversas técnicas. Uma arte todavia estruturada a partir de uma unidade subtil, essa que procura a relação como ser, com o ser mais íntimo mas, do mesmo modo, como ser tocado por tudo que o rodeia

XVII

Pedro Charters d'Azevedo situa-se no terreno de uma pintura - pintura que faz do jogo entre a figura e as por vezes estridentes manchas de cor o seu esteio expressivo. O seu método de abordagem poderia incorrer, com facilidade, na tentação ilustrativa, tanto mais que os poemas escolhidos ou insistem na crueza descritiva do acto amoroso, ou propõem sátiras a defeitos físicos evidentes ou então se debruçam, num registo de arrependimento, sobre a Morte iminente e o Destino, final, numa eloquente panorâmica dos excessos vividos e temidos! Contudo o pintor não procura uma qualquer dependência do relato ou das truculentas imagens poéticas. Pelo contrário, ainda que aqui e além se descortinem elementos figurativos que estabelecem subtilíssimas "pontes" com as evocações textuais, é na desconstrução figural e na exuberância cromática (numa prática salutarmente "selvática" da cor) que encontramos os equivalentes picturais dos excessos descritivos e sensuais da poesia, desencadeando no espectador um misto de identificação e de distanciamento operada pela pintura de hoje (na sua liberdade intrínseca) sobre uma poesia do passado ainda tão potencialmente libertária e actual para todos nós.

4 de Julho de 2004 (quadros sobre poemas de Barbosa du Bocage)

Dr. Fernando António Baptista Pereira
Especialista em História de Arte e Conservador do Museu da Cidade de Setúbal