comentários
.
Prémios:
  • 2º Prémio, 2009 "Pintar Ponte de Sor" - Ponte de Sor - Portugal
  • Médaille d'Argent Internationale, 2008 - Gembloux - Belgique
  • Menção Honrosa, 2007 – III Bienal de Pintura de pequeno formato – Prémio Joaquim Afonso Madeira
  • Médaille d'Or Nationale, 36e Salon Concours Internationale 2006 - Gembloux - Belgique
  • Médaille d’Or Nationale 2006 AEA – Paris – France
  • Médaille d’Or Nationale 2005 AEA – Paris – France
  • Médaille d'Argent International, 35e Salon Concours International 2005 - Gembloux - Belgique
  • Médaille d'Or International, Paris 2004 - França (Medalha)
  • Médaille d'Argent International 34e Salon Concours Internationale 2004–Gembloux – Belgique
  • Sibermedaille - Internationalen Ausstellung der A.E.A. (Vöcklabruck), Österreich
  • Medalha de Prata - 8º Concurso International de Prestigio – 2003 - Madrid
  • Médaille d'Or National - 33e Salon Concours Internationale 2003 –Gembloux – Belgique
  • Médaille d'Or National Française - Exposition Internationale 2003 –Paris – France
  • 3ª Prémio de Pintura - Concurso "I Prémio Columbina" - Internet (Quadro)
Comentários/Opiniões/Críticas

I

O pintor apresenta quadros de acrílico sobre tela, reveladores de todo um processo interior activo e sensível. Os quadros de Pedro Charters d'Azevedo são composições abstractas da figura e da vida em movimento. O pintor desconstroi ou dilui a imagem real de seres vivos, com criatividade e ritmos próprios. É um trabalho demarcadamente emocional, com uma vasta paleta de cores e gestos sensíveis, demonstrativos da imensa envolvência do espírito do artista na execução da sua obra.

D.P.H.C. - Núcleo de Artes Plásticas

II

Há muito para ver, muito para admirar e é preciso muito, mas muito tempo para se falar de um quadro, pois uma visita rápida e leviana seria uma desconsideração pelo artista, por tal prometo ver com mais atenção e numa altura em que todo o tempo esteja por minha conta, sem pressas...
No entanto, a impressão causada ao passar a vista pelos quadros nesta viagem rápida, foi de calma, tranquilidade, de harmonia.
Há uma grande variedade de temas, palhaços, mulheres, touradas, relações, sim relações de afectos entre pessoas, animais. Há vida, muita vida, cheia de movimento, de cor e brilho. Senti que havia também sons musicais! Senti a harmonia das cores suaves, senti a parte do erotismo poético patente nas obras. E tanto mais podia falar da obra, e ao ver a obra logo vejo o pintor, mas aí, já é a parte da análise psicológica, que não interessa agora, para não cair no risco de ser precipitada.
Bom trabalho!
Parabéns!

Eulália Faria

III

A Pintura de Pedro Charters d'Azevedo traduz a dicotomia pintor-criador que o artista impõe nas suas obras.

À primeira vista, o acto de ter começado a desenhar e a pintar regularmente desde 1998, poderia levar-nos a ter o pensamento limitado de que o seu percurso artístico é breve, perspectiva que não invalida a intensidade e exposições individuais e colectivas.

O cruzamento contínuo das emoções intrínsecas, a vivência, e as constantes descobertas do quotidiano, enquadram a arte que flúi serenamente nas telas de Pedro Charters d'Azevedo, num equilíbrio que o pintor trabalha sobretudo em acrílico sobre tela, embora utilize também uma diversidade de técnicas, como aguarela, a pintura a carvão, a tinta-da-china e a pastel seco.

Maria João Bual Salvado
Vereadora da Cultura da Câmara da Amadora (2005).

IV

Não sou crítica de arte, nem tenho qualquer aspiração a sê-lo.

Consequentemente aquilo que vou escrever acerca da obra do Pedro, é o que os meus olhos vêem, o que o meu coração sente e a minha mente regista. E tenho esperança de conseguir transmitir algo, uma vez que entre mim e a obra do Pedro se estabeleceu uma empatia muito grande.

Gosto da obra do Pedro e o que pretendo conseguir é suscitar a curiosidade dos outros, através da apreciação que espero conseguir passar.

Gostaria de vos falar um pouco sobre a obra do meu amigo Pedro, podendo talvez dizer que o vi "nascer"para a Pintura. A evolução do Pedro desde as suas primeiras tentativas no mundo da pintura e do desenho tem sido extraordinária. Diria que hoje está irreconhecível. Dos primeiros esboços e das primeiras pinceladas quase nada resta. Hoje afirma-se como pintor extremamente sensível e diversificado. É muito rico nos temas que aborda, no traço que usa e na polifonia da cor.

Os temas tão diversificados, vão da Éguada e dos Touros ˆ tão portugueses na inspiração, até às diversas perspectivas, aos Cristos, passando pelo Palhaço, pelo Soneto a meus filhos, pela Maternidade, pela Despedida, pelas Sevilhanas, pelo Grito do Palhaço, pela Busca de Plenitude até à Música. Não é em vão que invoco estas obras em particular, pois para mim elas representam o que há de eclecticismo na obra do pintor. O traço deste pintor é volúvel na forma. Não encontro na sua obra o risco duro que caracteriza muitos dos pintores modernos. O Pedro prefere o esboço e a insinuação, o subtil ao explícito, deixando que o seu pincel faça o resto, levemente, ousando. E o resultado desta técnica resulta profunda e magnificamente. O Pedro não impõe nada, o Pedro dá o toque e a nossa sensibilidade visual, inteligentemente guiada pela sua inspiração é levada a captar a obra em toda a sua riqueza interior e exterior. A maior parte da obra do Pedro é dicotómica. Sob cada pincelada, sob cada obra finalizada, vamos encontrar o seu significado interior. E o que está subjacente à forma e à cor ˆ é profundamente humanizado, tem conteúdo, não é apenas cromático. Ao admirar os Cristos, a Despedida, O grito do Palhaço, Soneto a meus filhos, a Maternidade ˆ sou impulsivamente levada a sentir e a viver a essência das telas, porque elas tocam no mais bonito do meu intelecto. A polifonia da cor é outra característica da pintura do Pedro. Gosta e usa os tons pastéis; diria que criou a sua própria época azul; brincou com as Sevilhanas; impressionou com os Cristos; chocou com A Busca de Plenitude. Os mestres que me desculpem, mas pessoalmente impressiona-me muito mais o Grito do Palhaço do Pedro do que o „Palhaço Músico‰ de Kutter. Da mesma maneira os Cristos que o Pedro lança na tela, são para mim muito superiores ao de Rouault. Saindo dos temas que considero muito sérios, é a minha vez de brincar com o cubismo do Pedro (com todo o respeito pelo Pedro e pelo Picasso) expresso na sua obra Música, se o Pedro quis ou não ser Picassiano, a verdade é que conseguiu plenamente. Julgo que o Picasso não se sentiria diminuído se assinasse esta obra. Ainda falando de cor, apetece-me dizer que no Candelabro, o Pedro realiza um hino à cor.

Repensando a sua obra num todo e tão longe quanto os meus sentidos me conseguem levar, o Pedro exulta em simultâneo a dor, a paixão, a alegria, a procura através da sua cor e a forma que utiliza. Haverá sempre críticos que dirão que os grandes mestres são ou não artistas completos. Neste momento, quem me interessa é o Pedro, e o Pedro se não é ainda um artista completo, para lá se encaminha. A evidência está na sua obra . O Pedro é um pintor cujas obras eu gostaria de ter expostas na minha casa, e seria com o maior orgulho que os mostraria a todos os meus outros amigos. Pedro, eu sou muito pequenina ante a tua arte, mas apetece-me dizer-te: „Conseguiste Pedro! Parabéns Pedro!

É uma felicidade pensar que tenho um amigo que percorrendo a via autodidacta alcançou a própria realização pessoal, através da sua mundividência e dos seus pincéis, que há muito viviam escondidos na sua mão, no seu coração e na sua alma.

Drª. Maria Luísa Neves (2005

V

Gosto imenso do seu trabalho, uma Obra marcante, com personalidade e o seu traço pessoal.Com a Poesia de uma mágica conjunção de cores, que ilustra uma mensagem.

Rute Santos (Artista Plástica

VI

Não sendo minimamente entendida em pintura, apenas deixei a minha sensibilidade vaguear pelos contornos e cores na expectativa de um diálogo que depressa se estabeleceu.

O predomínio do equilíbrio ocres/azuis aliado à altivez - quase arrogância - com que a perspectiva nos força o olhar é sem dúvida uma poderosa mais valia na tua obra.

Gostei de todos os quadros, adorei principalmente as Sevilhanas, Éguada e Solidão mas - sem qualquer influência de misticismo pessoal aliás pouco desenvolvido na minha mente mais racionalista - amo o poder do Cristo na sua agonia psicológica.

Parabéns.

(não assinado)

VII

A ouvir a cor, estar atento aos limites da forma, o ritmo, o compasso, batimentos constantes do pincel sobre a tela, existe um tempo de andamento no plano da pintura, a textura e a escala cromática, ressoam como acordes pictóricos. Sensibilidade, perspicácia, verdade - são palavras caras à arte de Charters d’Azevedo, cujo alcance e significado só entenderemos recorrendo à revelação das inquietações e anseios artísticos e filosóficos, que, como todo artista que se preza, também ele tem: O que é arte? Onde ela nasce? No mundo exterior ou no âmago do nosso íntimo, nas profundezas abissais do nosso inconsciente? São perguntas que, depois de seis mil anos de realizações artísticas, os homens ainda não sabem responder com segurança. Quando o fazem, é por uma retórica inversão ou exclusão do tópico em questão - "O que não é arte?" ou "É mais fácil dizer o que não é arte", nas palavras daquele travesso enfant terrible Duchamp.
A arte de Pedro Charters d’Azevedo não é para ser entendida, é para ser sentida.

Álvaro Freitas

VIII

Falar da obra de Pedro Charters d‘Azevedo

Pedro Charters d’Azevedo não renega as circunstâncias, embora não se sujeite às obediências do gosto instalado e das receitas de mercado. Enveredou pelos chamamentos interiores sem trair os condicionamentos exteriores. Oferece-nos trabalhos da sua verdade, da sua ambiguidade, da sua identidade. Exprime-se pela imprecisão, convicto de que a plena lucidez e o pleno sentimento são orações ao absurdo, que muitos relacionam com uma ordem mística. Não é o inventar de um gesto, o traçar de uma esquina, nem mesmo a velha luta do Homem entre a razão e os sentidos das cores e das formas dissolvidas – porque não perdidas? Aqui não falo do percurso dos olhos e da memória. E entretanto, algures, no interior de Pedro Charters e no espaço dos tempos, existe aquela fresta de luz que ameaça estilhaçar o mole da escuridão.

O Pintor, este de quem falo ou estou falando, relembra-nos as nossas gelatinosas origens e os nossos pulverizáveis desfechos, os cutelos da esperança e os elos da compreensão figurativa. As suas figuras vogam nas lamas essenciais da natureza humana e da incerteza e também advogam: algumas foram criadas na tela a pensar por nós e para nós, connosco provavelmente. Elas, as figuras, convidam-nos ao passeio até onde o concreto permite a conivência com o semi-abstracto, até onde a espessura da criação tolera a conivência da tortura e da ternura. Pedro Charters opera no seu percurso afirmativo e reivindicativo, um notório encontro de valores estéticos, algo transmissível. É a suavidade que, apesar da densidade, equilibra a sua condição de pintor-criador, num espaço de declaração e deflagração da personalidade, pautando-se pela sensibilidade, oscilando entre a agressividade e a amabilidade pictórica, o estigma lancinante e o paradigma deleitante.

A Arte é veiculada pelos Homens. A Arte na sua audácia leva a caminhos indefiníveis. A Arte é isso. Somos nós quem a vê, são somente os Homens quem sabe. Na Arte não existem longitudes. E Pedro Charters d’Azevedo sabe a sua Arte.

Rui de Barros
Professor de pintura e crítico de arte

IX

O desenvolvimento da pintura de Charters d’Azevedo ultimamente foi particularmente intenso e distingue-se pelas mudanças consideráveis que, nas linhas mais gerais, corresponde ao tremendo progresso realizado em todas as esferas da vida material, cultural e profissional num curto período. De funcionário por contra de outrem, tornou-se hoje um pintor contemporâneo com elevados ritmos de desenvolvimento cultural.

Charters d’Azevedo começou a trabalhar em pintura em 1998, defrontando-se com problemas complexos. As novas circunstâncias profissionais exigiam uma arte que fosse por princípio, diferente, uma arte que combinasse o espírito das tradições portuguesas com as inovações necessárias à sua introdução no mercado e ao agrado do público.

Obviamente na pintura não poderia partir do rabisco pois a sua sensibilidade exigia mais.

A coexistência de várias correntes e tendências, desde o folclore e os motivos decorativos, afins do estilo de arte popular, às complexas composições metafóricas multiplanas, ao prazer artístico directo do mundo e da natureza e dos objectos, expresso em acrílicos cheios de sombras em espessas camadas às soluções construtivas policromáticas, com uma nova “substancialidade”, desde as modulações intimistas à grande visão filosófica e às generalizações.

O caminho percorrido pela arte de Charters d’Azevedo, embora curto, é profundamente intenso e complexo. Mostra um desenvolvimento dinâmico e rico em imagens, tão dinâmico e rico em imagens como a própria vida.

Dr. Filipe Azevedo

X

Natural da cidade de Lisboa, onde nasceu em 1946, Pedro Charters d’Azevedo passou a desenhar e a pintar com regularidade em 1998, dedicando-se em exclusivo à pintura a partir de 2000, depois de ter ficado desempregado (anteriormente, tinha exercido diversas profissões na área dos serviços).

Autodidacta, este pintor trabalha sobretudo em acrílico sobre tela, embora utilize também uma diversidade de técnicas entre as quais se contam a aguarela, a pintura a carvão, tinta-da-china e pastel seco. Os temas das suas obras estão predominantemente ligados ao mundo da tauromaquia e da caça (touros, cavalos, perdizes, gazelas…) e às paisagens pitorescas, como ruelas e casarios velhos. O retrato constitui outra das vertentes da sua pintura, caracterizada ora pela figuração realista, ora pela abstracção.

Pedro Charters d’Azevedo apresentou-se pela primeira vez a título individual em 1999, num atelier de arquitectura, em Cascais. Das colectivas em que participou destacam-se diversas exposições em museus e certames ribatejanos, facto que se explica pelos motivos pictóricos que elege para os seus trabalhos.

ArtLink

XI

Obra de um homem maduro!

A sua pintura traduz a subjectividade de uma sensibilidade que o tempo formou e as circunstâncias e a vivência do dia a dia sublimaram.

O social na ternura com que tratou um idoso ou no carinho que pôs no retrato da criança alia-se ao anseio de liberdade que os cavalos a galope evocam.

O esmagamento do mal no enquadramento de animais que o simbolizam e que desaparece na pureza de uma flor ou o lirismo da luz entardecida de uma paisagem outonal.

Social, liberdade, ternura uma trilogia de sentimentos que a idade credibiliza e o tempo consagrou.

Eng. João Pedro Neves Clara

XII

Uma Opinião sobre o Artista

Espaços e tempos. Viagens de olhar por dentro dos sentidos, por dentro da liberdade dos sentidos. Memórias. Diálogos integradores e transformadores. Um percurso de traços fortes de libertação, acto de amor, de arrebatamento, de sensualidade e até de volúpia; um percurso de quem procura sempre coisas novas e para quem o novo pode existir no cruzamento de tempos e atmosferas e de emoções. É nesta oficina plural que reside, porventura, a liberdade de um artista; uma oficina marcada por diversas técnicas. Uma arte todavia estruturada a partir de uma unidade subtil, essa que procura a relação como ser, com o ser mais íntimo mas, do mesmo modo, como ser tocado por tudo que o rodeia

XIII

Pedro Charters d'Azevedo situa-se no terreno de uma pintura - pintura que faz do jogo entre a figura e as por vezes estridentes manchas de cor o seu esteio expressivo. O seu método de abordagem poderia incorrer, com facilidade, na tentação ilustrativa, tanto mais que os poemas escolhidos ou insistem na crueza descritiva do acto amoroso, ou propõem sátiras a defeitos físicos evidentes ou então se debruçam, num registo de arrependimento, sobre a Morte iminente e o Destino, final, numa eloquente panorâmica dos excessos vividos e temidos! Contudo o pintor não procura uma qualquer dependência do relato ou das truculentas imagens poéticas. Pelo contrário, ainda que aqui e além se descortinem elementos figurativos que estabelecem subtilíssimas "pontes" com as evocações textuais, é na desconstrução figural e na exuberância cromática (numa prática salutarmente "selvática" da cor) que encontramos os equivalentes picturais dos excessos descritivos e sensuais da poesia, desencadeando no espectador um misto de identificação e de distanciamento operada pela pintura de hoje (na sua liberdade intrínseca) sobre uma poesia do passado ainda tão potencialmente libertária e actual para todos nós.

4 de Julho de 2004 (quadros sobre poemas de Barbosa du Bocage)

Dr. Fernando António Baptista Pereira
Especialista em História de Arte e Conservador do Museu da Cidade de Setúbal